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Sociedade - 07/06/2013

1956 - “Os endemoniados da Cidade Feitiço”

Homenagem aos 96 anos do Banco do Brasil em Catanduva.

Catanduva é realmente uma Cidade Feitiço, ou, mais do que isso, uma cidade enfeitiçada. Ali fizeram praça, todas as bruxas e todas as fadas do universo inteiro, e de todas as épocas, infundindo a uma coletividade de aparência pacata e hábitos moderados um espírito verdadeiramente demoníaco. Tão vasto e envolvente é esse reino de entes sobrenaturais, saído de algum conto da carochinha, para instalar-se de forma palpável, em terras paulistas, que a atmosfera, a paisagem e o homem de Catanduva, se cercam de dons imateriais de inapelável sedução. Feiticeira ou enfeitiçada, Catanduva usa de tais poderes e sortilégios que consegue, em poucos dias, condições de se projetar vitoriosamente  além  fronteiras. Catanduva foi um espetáculo de civismo, repleto de demonstrações de fé e de entusiasmo por uma causa em que se deram as mãos a imprensa e os cafeicultores dessa cidade. Foi um espetáculo fora do comum, que pelas suas proposições, adquiriu contornos de coisa sobrenatural. Recebeu Catanduva nesses dias mais de mil pessoas vindos de mais de 20 municípios, através de estradas intransitáveis, após dez dias de incessantes chuvas. Que duendes os haveriam transportados. Ou que bruxas ou fadas teriam, por acaso, removido o barro e a lama de seus caminhos. Mas que esses espécimes fantasmagóricos existem em Catanduva e que atenderam às rezas de algum fetichista local, isso não temos dúvida nenhuma. E quem às tiver que vá conhecer o gerente do Banco do Brasil Sr. Benedito Pio da Silva, no pleno exercício de suas satânicas funções, acompanhado do Sr. José Olimpio Gonçalves, Adelcke Rosseto e outros.  Cafeicultores amigos, não passem por Catanduva, fujam ao contato com os endemoniados promotores desse evento que acabam de nos levar, nem sequer tomem conhecimento das notícias que provierem de tais bandas, pois do contrário, todos os senhores perderão o sossego em que terão vivido até então, se o café que estão produzindo na for o de melhor qualidade que lhes é permitido produzir. Mas, tomem cuidados mesmo porque o “Movimento de Catanduva” que é contagiante, que é crescente e que tem agora por padrinho outro endemoninhado como é Assis Chateaubriand, pode pegar em seu Município, Estado e Federação.

(trechos de matéria do Jornal Diário de São Paulo).

 

Ano 1956 - Campanha dos “Cafés Finos” Na foto tirada defronte ao Banco do Brasil aparecem da esquerda para a direita: o jornalista Nair de Freitas, o vereador Ângelo Mestriner, o empreendedor Francisco de Lima Machado, o embaixador Assis Chateaubriand e o gerente do Banco do Brasil Benedito Pio da Silva. 

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